Memórias
Homenagens
António Marques
Partiu o actor António Marques, actor que viveu esta Companhia por mais de 50 anos.A Companhia do TEC manifesta o seu profundo pesar pelo desaparecimento de um dos seus incontornáveis actores que, também ele, construiu esta casa.
De personalidade forte, criou inúmeras personagens ao longo da vida do TEC, muitas inesquecíveis como Camões em ONDE VAZ, LUÍS?, Danton em A MORTE DE DANTON, Macbeth em MACBETH numa encenação de Jorge Listopad, Gloucester em REI LEAR , o Chefe da Polícia em O BALCÃO, ou Mack Navalha em ÓPERA DOS TRÊS VINTÉNS e tantos outros, em espectáculos como SOTOBA KOMACHI ao lado de Augusto Figueiredo, BREVE SUMÁRIO DA HSTÓRIA DE DEUS, A MAÇÃ, D. QUIXOTE no protagonista em digressão ao Brasil, AUTO D’EL-REI SELEUCO, FUENTEOVEJUNA, JEDERMANN, BIOMBOS, LA NONNA, LORCA, FEDERICO, D. CARLOS, MARAT-SADE, DIVINAS PALAVRAS ou mais recentemente GUERNICA, num desempenho comovente que lhe valeu uma nomeação para os prémios SPAUTORES.
Aos familiares, amigos e colegas de António Marques os mais sentidos pesâmes da direcção do TEC.
João Vasco
Rogério Paulo e Fernanda Neves
O Teatro Experimental de Cascais homenageia os atores Rogério Paulo e Fernanda Neves por ocasião do dia 25 de abril
O Teatro Experimental de Cascais está prestes a completar 58 anos de existência e continua ativo nos seus objetivos. Por esta companhia têm passado as mais destacadas figuras da cultura portuguesa, como intérpretes, ou grandes figuras das artes plásticas e da música.
As homenagens
Assim, e dentro do espírito humanista da companhia, vão ser prestadas homenagens a Rogério Paulo e Fernanda Neves, intérpretes que fizeram parte do percurso do Teatro Experimental de Cascais.
A homenagem às duas personalidades será realizada no final do espetáculo em cena “A noite dos assassinos”, do dramaturgo cubano José Triana. Em 1970 este espetáculo, com os intérpretes Maria do Céu Guerra, Sinde Filipe e Manuela de Freitas, numa encenação de Jorge Listopad, foi proibido pela censura na véspera da estreia, realizando algumas sessões de forma clandestina, à porta fechada.
Para que a liberdade chegasse ao teatro em 1974, muito contribuíram Rogério Paulo e Fernanda Neves.
O mítico ator, com uma carreira como intérprete, encenador e mentor de inúmeros projetos teatrais, não só em Portugal, como no estrangeiro, esteve detido diversas vezes pela polícia política. Rogério Paulo faleceu, precisamente no dia 25 de Abril de 1993.
Também, Fernanda Neves esteve detida durante mais de um ano na prisão de Caxias, pelo facto de lutar pelo fim da ditadura em Portugal. No documentário televisivo sobre a libertação dos presos de Caxias, no dia 26 de abril de 1974, é bem reconhecível o momento da saída de Fernanda Neves, juntamente com outros antifascistas.
As placas – memória ficam a marcar a sua presença no Teatro Experimental de Cascais e serão um contributo para a memória futura de que os dois intérpretes lutaram pela liberdade.
Ficarão junto à homenagem que foi prestada a Miep Gies, lendária figura da tragédia que vitimou a família Frank no regime nazi, e que esteve em Portugal, neste mesmo Teatro, em 1994.
Dia 25 de Abril, às 21h00, no Teatro Municipal Mirita Casimiro
após o espetáculo “A Noite dos Assassinos”
Santos Manuel
Actor
SANTOS MANUEL
1933/2012
Há precisamente 8 anos, que o Santos Manuel nos deixou.
Era um actor de excepção no panorama teatral português.
Foi um dos fundadores do TEC em 1965 juntamente com a Zita Duarte, Manuel Cavaco, Maria do Céu Guerra, António Rama, Ricardo Fragoso, Carmen Gonzalez, Carlos Paredes, Luís Pinto Coelho, o Carlos Avilez e eu próprio.
O seu enorme talento deu origem a grandes interpretações não só na nossa companhia, com a direção do Carlos Avilez, assim como na Barraca dirigido por Hélder Costa, no Teatro Aberto dirigido por João Lourenço, e também no Teatro Nacional D. Maria II.
Deixou a sua marca de grande intérprete no cinema, em especial no filme “Cerro Maior”, baseado no texto de Manuel da Fonseca realizado por Fonseca e Costa.
A sua passagem pelo teatro televisivo foi marcada pela sua presença.
Na nossa companhia a sua interpretação em Dom Quixote de Yves Jamiaque, obteve em Espanha o Prémio do Melhor Actor no Ciclo de Teatro Latino. Com a companhia de Ruy de Matos no inesquecível Sancho Pança, constituíram cenas inesquecíveis de dimensão humana.
Em 2010, juntamente com Miguel Silva Ângelo, oferecemos-lhe este documentário sobre os principais momentos do seu notável talento interpretativo.
Não esqueço o forte abraço que me deu quando assistiu ao visionamento desta homenagem sentida que lhe prestámos.
Recordarei sempre a amizade e sã camaradagem que mantivemos ao longo da vida.
Santos Manuel, um actor de excepção.
Pedro Barroso

Na fotografia: Zita Duarte, Águeda Sena, Pedro Barroso e António Marques
© J. Marques
António Feio (2020)
A sua estreia em palco, no Teatro Gil Vicente, em Cascais, aconteceu no dia 20 de Fevereiro de 1966, precisamente há 54 anos, na peça de Ricardo Alberty “A pastorinha e o comboio”, numa encenação de Glicínia Quartin, com o seguinte elenco: António Feio, António Rama, António Toppa, Carmen Gonzalez, Delfim Braz, Fernando Telles, Manuel Cavaco, Maria do Céu Guerra, Margarida Fragoso, Santos Manuel e Zita Duarte.
Aquele jovem extremamente bem educado, inteligente e bonito acompanhava diariamente a sua mãe, a actriz Ester Feio, aos ensaios de “A casa de Bernarda Alba”, de Lorca, que marcaria o regresso da actriz Mirita Casimiro ao teatro em Portugal, depois de dez anos no Brasil.
Só cerca de um ano depois, o jovem se estrearia com enorme êxito na peça “Mar”, de Miguel Torga, com encenação de Carlos Avilez e um cenário deslumbrante de mestre Almada Negreiros. Foi o início de uma carreira mediática para a época, até à sua partida com os pais para Moçambique. Na cidade de Lourenço Marques fez algumas aparições numa companhia de teatro, ao mesmo tempo que desenvolvia os seus estudos.
Em 1973, por ocasião da digressão que realizámos a Angola e Moçambique, ao desembarcarmos no aeroporto de Lourenço Marques, entre os jornalistas e muitos admiradores que nos aguardavam, estava um jovem muito alto que nos cumprimentou. Como ficou com a ideia que não o estávamos a reconhecer dirigiu-se ao Carlos Avilez e apresentou-se: Sou o António Feio!
Durante a digressão integrou-se na companhia onde representou alguns personagens, e quando voltámos a Cascais em 1974, o António acompanhou-nos no regresso.
A partir deste momento, António Feio começou a desenvolver uma actividade de grande êxito no teatro e na televisão, reconhecida por todos até hoje.

Águeda Sena

Ligam-me a Águeda Sena, laços de grande cumplicidade artística. Foi, em vários espectáculos que encenei ao longo da minha vida, um dos pilares mais importantes.
Marcou o seu cunho artístico em espectáculos como “A Maluquinha de Arroios” de André Brun, “D. Quixote” de Yves Jamiaque, “O Comissário de Polícia” de Gervásio Lobato, assim como “Bodas de Sangue” de Federico García Lorca. A nossa última colaboração, foi em “A Dama das Camélias” de Alexandre Dumas, em 1995 no Casino Estoril.
Destaco no entanto, duas das suas extraordinárias criações, “Acto Sem Palavras” de Samuel Beckett e “Sinfonia dos Salmos” de Stravinski, dois inesquecíveis momentos, que traduziram o seu enorme talento como criadora. Saliento, no final desta minha sentida homenagem a Águeda Sena, o seu notável trabalho no espectáculo “Namban Matsuri”, realizado na Expo’70, em Osaka, no Japão, que julgo terá sido, um dos momentos mais altos da sua carreira artística.
A minha homenagem e saudade a Águeda Sena,
Tive sempre muito apreço e até gratidão por esta importante figura da nossa cultura.
Contei sempre com a sua preciosa colaboração artística, em muitos dos variados personagens, que interpretei ao longo de 50 anos de teatro.
A sua actividade, não só em Portugal, como no estrangeiro, fazem de Águeda Sena uma das maiores personalidades do mundo do ballet.
Águeda Sena com o seu conhecimento apurado, relativamente à difícil e notável arte que é o ballet, tinha sensibilidade para compreender as dificuldades dos actores, auxiliando-os a dar corpo aos seus personagens.
Foi notável a simbiose artística entre Águeda Sena e Carlos Avilez, em vários espectáculos levados à cena pelo Teatro Experimental de Cascais. Considero que, alguns dos momentos mais altos da sua criatividade artística, aconteceram em “Sinfonia dos Salmos” de Stravinski e em “Acto Sem Palavras” de Samuel Beckett. No entanto, penso que o seu cume artístico, foi o grande espectáculo realizado na Expo’70 no Japão, um marco inesquecível da presença de Portugal nesse certame.
Desejo que seja dado, com urgência, apoio ao historiador António Laginha – uma personalidade importante do bailado em Portugal e o maior conhecedor da obra de Águeda Sena -, no sentido de ser divulgado a obra desta grande senhora da nossa cultura. António Laginha acompanhou sempre, com admiração e respeito, até ao fim da vida, a sua amiga Águeda Sena.
Curvo-me perante esta figura inesquecível.
Carlos Carranca
Homenagem ao nosso amado amigo, professor Carlos Carranca
Querido Carlos, quando te ausentaste no dia 29 de Agosto último, a tua amada Rosa enviou-me uma sentida mensagem, para me agradecer as palavras que te enviei, nessa data tão triste para os teus inúmeros colegas, alunos, e amigos.
A certa altura da mensagem, ela escreveu com o coração esta frase: o meu amado Carlos… o meu amado Carlos…
É verdade meu amigo, a amizade e a camaradagem construída ao longo dos 20 anos – em que abraçamos com amor o projecto desta escola artística -, foram inesquecíveis.
Durante estes anos ninguém ficou indiferente à tua personalidade, à tua cultura e aos teus valores de cidadania. Sempre acompanhaste e divulgaste esses valores às várias gerações de jovens, que tiveram o privilégio de te conhecer e contigo aprender. Jovens esses, que hoje são intérpretes de grande valor nas suas carreiras, não só no teatro, mas também na massificada televisão. Todos eles têm por ti, uma enorme admiração, respeito e carinho.
Ninguém desta escola te irá esquecer. Deverão até agradecer-te o importante que foste na divulgação cultural, projectando junto dos intelectuais teus amigos, a cultura, a poesia, o teatro e a música. Todas estas vertentes foram divulgadas por ti, no plano cultural desta escola.
Lembro, que foi por teu intermédio, que estiveram presentes nesta escola diversas personalidades da vida cultural e cívica. Recordo, o nosso grande amigo Luís Góis, que aqui deu uma extraordinária lição de cultura e comunicabilidade.
Querido Carlos, há quem diga que a nossa passagem por esta escola foi importante. Se assim é, toda esta comunidade artística, tem o dever de continuar este projecto, com a mesma dimensão cultural, com que foi criado.
Os jovens devem respeitar e aprender com entusiasmo, os ensinamentos dos professores, assim como devem respeitar, todos os colaboradores que diariamente são responsáveis pelo funcionamento desta escola. Do mesmo modo, os responsáveis pela direcção deste estabelecimento de ensino, devem ter respeito uns pelos outros, sendo cada um responsável pelo sector que está a seu cargo.
Penso, meu querido Carlos Carranca, que foi também este o teu pensamento no sentido de continuar este grande projecto que é a Escola Profissional de Teatro de Cascais.
A tua inesquecível voz – quando entrava nos portões desta escola e nos cruzávamos diariamente às 9 da manhã -, está sempre presente no meu ouvido; o teu afável e salutar cumprimento: Olá Joãozinho…
Esta homenagem é pequena, mas ao mesmo tempo grandiosa, pela tua obra e pela tua importância nesta escola.
Um eterno abraço, meu querido amigo Carlos Carranca.
Até qualquer dia,
António Feio (2019)
Na data do aniversário de António Feio, relembro a importância da sua passagem pela nossa companhia, no distante ano de 1966, onde se estreou nas peças O FEITICEIRO QUE TINHA FLORES NO NARIZ de Eduardo Rios e A PASTORINHA E O COMBOIO de Ricardo Alberty, com direcção de Glicínia Quartin.
Meses depois estrearia MAR de Miguel Torga, com cenário do Mestre Almada Negreiros e encenação de Carlos Avilez. Desde logo, o seu enorme talento foi assinalado pelo público e pelos críticos da época. O jovem António Feio tinha a admiração e o carinho de todo o elenco da peça, destacando-se a sua grande admiradora Mirita Casimiro.
Vim encontrá-lo anos depois em Moçambique, quando a nossa companhia fez a memorável digressão em Angola e Moçambique. O jovem António Feio foi esperar-nos ao aeroporto, sendo visível a sua comoção, tal como a nossa ao encontrá-lo já um homem. Não estava nos seus planos voltar ao teatro, mas sim tirar um curso superior. Toda a família do António era magnífica, a sua mãe, a actriz Ester Feio e o seu pai, o senhor engenheiro Feio, eram umas pessoas encantadoras.
Ester Feio, responsável pelo sector de teatro na rádio Moçambicana, vinha quase diariamente visitar-nos ao teatro de Lourenço Marques. Estes contactos, devidos à nossa presença em Moçambique, faz António Feio recomeçar o interesse pelo teatro. Acabou por colaborar, com alguns papéis em diversas peças, nessa digressão. Quando terminou, regressou connosco a Cascais, integrando a nossa companhia em 1974. Viveu connosco o 25 de Abril e a festa da Liberdade.
Recordo hoje, na data do seu aniversário, a sua educação, o seu sentido de humor, o seu lado humano, a sua inteligência e o seu enorme talento. Foi um amigo para mim, inesquecível.
Estará certamente numa companhia de teatro lá no céu, ao lado das queridíssimas Zita Duarte, Maria Albergaria, Glicínia Quartin, Isabel de Castro, e do queridíssimo Mário Viegas e tantos outros.
Recordo sempre o António Feio, não só no dia do seu aniversário, mas todos os dias.
Maria do Céu Guerra
Os admiradores (entre os quais me incluo) da carreira e do talento de Maria do Céu Guerra, celebraram com imenso agrado, a distinção que a actriz recebeu ao ser premiada com o Globo de Ouro de Mérito e Excelência, atribuído pela revista Caras/SIC.
Já anteriormente Maria do Céu Guerra foi reconhecida como melhor Actriz da Europa, pelo Festival Internacional de Teatro – Actor of Europe.
Todas estas homenagens enchem-me de uma enorme satisfação pela amizade que lhe tenho desde 1965, ano em que fundámos, na então pacata vila de Cascais, o Teatro Experimental.
Na nossa companhia, Maria do Céu Guerra distinguiu-se de imediato como uma jovem com enormes potencialidades artísticas. Em todos os géneros de teatro, com o seu colossal talento, deu-nos interpretações notáveis, como em “A Vida de Esopo” de António José da Silva (O Judeu), “A Casa de Bernarda Alba” e “Bodas de Sangue” de Federico García Lorca, assim como também em “A Maluquinha de Arroios” de André Brun, “A Maça” de Jack Gelber e “Fedra” de Jean Racine com a enorme actriz Eunice Muñoz.
Sensibilizou-me o agradecimento e a reflexão que Maria do Céu Guerra fez ao receber o Globo de Ouro, relembrando o muito que todos nós devemos à liberdade que alcançámos em Abril de 74. Nunca é demais enaltecer – como Maria do Céu Guerra o fez -, a figura da democracia que é Francisco Pinto Balsemão.
A génese deste grande senhor da democracia está patente na liberdade de opinião exercida na SIC Notícias.
Maria do Céu Guerra sabe tão bem como eu, a horrível censura de que fomos vítimas, logo no início da fundação da nossa companhia.
Obrigado Maria do Céu Guerra. Um abraço imenso deste teu grande amigo e admirador,
João Vasco
PS: Depois de escrever esta mensagem dedicada à Maria do Céu Guerra, tive conhecimento dos resultados provisórios dos concursos sustentados bienais 2020/2021, atribuídos às companhias de teatro por parte do júri (sempre os júris!) da Direcção-Geral das Artes.
Entre os grupos elegíveis, mas não contemplados financeiramente, está A Barraca, fundada em 1975 pelo dramaturgo Hélder Costa e por Maria do Céu Guerra.
É possível cercear a criatividade destas grandes figuras da nossa cultura, cortando o merecido apoio às suas criações?
Inacreditável.
Carlos Carranca
in memoriam
O desaparecimento de Carlos Carranca há dias, constituiu um duro golpe emocional para todos os amigos desta figura extraordinária. Havia ainda muito a esperar deste intelectual, que se preocupava com o seu país e os destinos da cultura em Portugal.
Era um homem de fortes convicções, dotado de grande humanismo, bem patente na sua obra poética e não só.
Carlos Carranca exerceu com paixão o seu papel de pedagogo e homem de cultura universal. A sua paixão pela obra de Miguel Torga, de quem foi amigo, motivou-o de forma a dar a conhecer aos jovens alunos, a grande figura e a mensagem deste poeta, que tanto honra a nossa literatura. Toda a sua obra dedicada a Torga, merece e deve ser divulgada pelo conhecimento e paixão que lhe dedicava, como também a outros vultos da cultura universal, com destaque para Miguel de Unamuno.
Foi colaborador em diversos espectáculos do TEC Teatro Experimental de Cascais, tais como Terra Firme, O Paraíso e Torga.
Leccionou durante mais de duas décadas na Escola Profissional de Teatro de Cascais, dando o seu cunho de professor universitário de grande mérito. Influenciou muitos jovens, dando-lhes a conhecer a importância da cultura, do civismo e da cidadania. Foi o primeiro grande divulgador da obra que é hoje a Escola Profissional de Teatro de Cascais. Certamente que este estabelecimento de ensino irá homenagear em breve este homem de bem, amigo dos seus amigos, escritor e poeta, cuja obra deve ser estudada e divulgada por todos os seus amigos e admiradores.
O meu abraço de grande amizade para Carlos Carranca.
Ruben de Carvalho
Maria Alberta Menéres
Comemorações
Dia Mundial do Teatro
Um dia importante para o teatro que se faz em todo o mundo.
Aguardei este dia para agradecer as inúmeras mensagens que recebi quando do falecimento do nosso querido Carlos Avilez. Tem sido difícil não só para mim, assim como para toda a família TEC, a falta desta figura tão importante na vida de todos nós pelo facto de o admirarmos não só pelo seu talento como homem de teatro, como também pela admiração que ele tinha por todos os que, como ele, amavam esta maravilhosa profissão. A solidariedade que recebi de colegas de outras companhias, assim como do público em geral, assim como de jovens atores que tiveram o privilégio de o ter como professor, é para mim inesquecível. Também agradeço em nome de toda a nossa companhia as mensagens recebidas de diversos organismos ligados à cultura que constituem a vida portuguesa. Deixo um especial obrigado pelo respeito que a Câmara Municipal de Cascais demonstrou, na pessoa do seu presidente, Dr. Carlos Carreiras, ao decidir atribuir “dia de luto municipal” de homenagem ao Carlos Avilez.
O presente e o futuro da Escola Profissional de Teatro de Cascais e do Teatro Experimental de Cascais
Ao longo deste mês tenho recebido centenas de mensagens e telefonemas com a mesma pergunta e também preocupação: quem substitui o Carlos Avilez nestas duas instituições? Na verdade, passados 4 meses posso afirmar que a decisão sobre as personalidades escolhidas será divulgada no próximo dia 2 de abril. Foi esta a informação que me foi transmitida pelo Prof. Salvato Teles de Menezes, Presidente e Diretor-Delegado da Fundação D. Luís I,
Um agradecimento
Não quero, nem posso deixar de agradecer nesta fase de transição à Dra. Ana Clara Justino, diretora pedagógica da Escola Profissional de Teatro de Cascais, e ao diretor financeiro, Dr. Bernardo Beja, assim como a todos os colaboradores da escola, o empenho e o respeito pela obra que o Carlos ergueu com entusiasmo naquela escola, onde foram formados centenas de jovens que aprenderam com ele a admirar e a respeitar a maravilhosa arte do teatro. Nesta fase de transição foi também notável o difícil trabalho de dar continuidade ao projeto deixado pelo Carlos Avilez pelo nosso colaborador e amigo Fernando Alvarez. Neste difícil momento todos os colaboradores do TEC têm sido notáveis de forma a que a continuidade deste projeto iniciado por nós em 1965 não acabe. Peço aos novos dirigentes que tenham sempre presente que só se justifica a continuidade destes dois projetos culturais se continuarem a ter a qualidade e o rigor que o Carlos Avilez tinha como criador. Gostaria também de agradecer aos órgãos da comunicação social que dedicaram palavras de apreço pela obra do Carlos Avilez.
Não é fácil substituir uma personalidade com a dimensão e a importância cultural desta grande figura que marcou a vida de todos quanto tiveram o privilégio de trabalhar e aprender com tudo o que nos ensinou.
Viva o Teatro!
João Vasco
13 de Novembro de 1965
Recordo com emoção esta já tão longa data, há 58 anos, em que demos início a este projeto, inicialmente concebido no maravilhoso Teatro Gil Vicente, em Cascais.
Do elenco inicial, apenas estão em atividade Maria do Céu Guerra, Carlos Avilez, Manuel Cavaco e eu próprio.
Quem diria que, passados 58 anos, viéssemos a estrear a mítica peça “Electra”, de Eugene O’Neill, numa encenação de Carlos Avilez, adaptação de Graça Corrêa e cenário de Fernando Alvarez.
É toda uma equipa que, neste momento, luta para que o espetáculo marque mais um êxito da nossa companhia. O elenco é extraordinário.
“Electra” marca a estreia duma peça de teatro no novo Auditório Academia das Artes (antigo edifício do Cruzeiro), o que certamente vai ser também um motivo de atração para o público que habitualmente nos acompanha no Teatro Municipal Mirita Casimiro, sob o olhar penetrante da grande Mirita Casimiro.
Uma preocupação
Fui há dias recebido pelo sr. Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Dr. Carlos Carreiras e pelo Prof. Salvato Teles de Menezes. Foi um diálogo extremamente positivo e também emotivo para mim, pela preocupação que o Carlos Avilez e eu temos sobre o destino do importante acervo da nossa companhia. Temos lutado ao longo dos anos no sentido de que, as imensas “memórias” da nossa vida artística desenvolvida nesta maravilhosa vila de Cascais, fiquem, por direito próprio, nesta vila cujo nome divulgámos nas diversas partes do mundo por onde atuámos.
O Espaço Memória – Teatro Experimental de Cascais não tem tido a projeção que devia ter, pela falta de divulgação e algum desinteresse que nos ultrapassa. Parte do acervo que não cabe neste espaço da Av. Marechal Carmona, encontra-se num armazém nos arredores de Cascais, sem condições para tão importante acervo histórico. Ali se encontram os célebres painéis de Graça Morais, concebidos pela grande pintora para a peça “os Biombos”, de Jean Genet e, também, o enorme painel concebido e executado por Francisco Relógio para o espetáculo vicentino, realizado na Expo`70, no Japão. Também nos preocupa o destino da maqueta concebida pelo mestre Almada Negreiros para a peça “Mar” de Miguel Torga.(Neste espetáculo estreou-se um jovem de 13 anos chamado António Feio. Iremos homenageá-lo no próximo dia 6 de dezembro às 19h00, no Teatro Municipal Mirita Casimiro, com a participação do FF, cujo talento é por todos reconhecido. É um dos mais célebres jovens saídos da Escola Profissional de Teatro de Cascais.)
É para nós motivo de desgosto que todo este acervo não fique em Cascais, uma vez que se vislumbra a hipótese de ir parar a outro destino.
Em países como Inglaterra, França, Espanha, existem acervos culturais relacionados com o teatro que constituem um ponto de grande interesse para o público em geral e para os jovens atores em particular, tanto mais que, no nosso caso, ainda está em atividade a Escola Profissional de Teatro de Cascais.
Talvez algum mecenas urbanístico nos possa ceder um espaço onde possamos concretizar o nosso desejo de mostrar o que foi a vida e a obra de uma companhia com 58 anos de atividade.
Neste dia 13 de novembro, nesta data tão significativa, o meu abraço e a saudade de tantos colegas que já não estão entre nós e que deram muito da sua arte ao Teatro Experimental de Cascais.
A eles dedicamos o espetáculo “Electra” que iremos estrear no novo Auditório Academia das Artes, no Monte Estoril.
Quero deixar, neste dia, uma “especial” palavra de amizade e respeito pela obra que o Carlos Avilez tem desenvolvido ao longo da sua notável carreira, como figura importantíssima do teatro em Portugal.
Com emoção
Viva o Teatro!
João Vasco
Dia Internacional da Mulher
Dia Internacional da Mulher
Recordando Maria Lamas
Não posso deixar de recordar o Dia Internacional da Mulher de 8 de Março de 1983.
A inauguração contou com a presença da escritora. A homenageada ouviu com a maior serenidade os elogios que lhe foram dirigidos por um grupo de intelectuais presentes na sessão. O debate designou-se “O que é ser mulher hoje em Portugal”.
O naipe convidado para a sessão foi organizado por Helena Neves, subdirectora da revista Mulheres. Estiveram presentes as deputadas Alda Nogueira, Helena Cidade Moura, Teresa Santa Clara Gomes, Helena Reis e a então presidente da Câmara Municipal de Cascais Helena Roseta. No entanto, uma figura se destacava no debate, Natália Correia.
O grito de Natália Correia
Ao apresentar os intervenientes cometi a gafe de apresentar Natália como poetisa. Logo a sua voz ecoou naquele enorme espaço onde estavam dezenas de pessoas.
Poetisa não, Poeta.
Só não me atemorizei mais pelo facto de já ter privado com Natália Correia, quando a poeta traduziu para nós Fuentoevejuna de Lope de Veja, numa tradução extraordinária que valorizou a grande peça do dramaturgo. Um espectáculo marcante na carreira da nossa Companhia, com encenação de Carlos Avilez e cenário de Helena Reis. A intervenção de Natália Correia foi um momento de reflexão sobre a situação das mulheres em Portugal. Foi uma das maiores iniciativas organizadas por mim naquele Espaço Memória.
Passados dias, integrado na homenagem a Maria Lamas foi projectado o filme Maria Lamas – A Mulher e a Obra com a presença das jornalistas Maria Antónia Pala, Helena Neves e Antónia Fiadeiro.
Recordo hoje 40 anos depois, aquele Dia Internacional da Mulher. Tive o privilégio depois desta homenagem, de privar até ao final da vida de Maria Lamas.
Devo a Águeda Sena grande amiga de Maria Lamas esta aproximação.
Viva o Dia Internacional da Mulher 2023.
João Vasco
Destaques
Teatro Gil Vicente
Saudemos os 150 anos de existência do Teatro Gil Vicente em Cascais
Foi no dia 19 de Setembro de 1869 que o homem de negócios Manuel Rodrigues de Lima, concretizou o seu sonho ao presentear Cascais com uma moderna sala de teatro, à qual deu o nome do mais icónico dramaturgo português: Gil Vicente.
É notável a acção cultural desenvolvida ao longo destes anos nesta maravilhosa sala de teatro, amada pelos cascalenses e não só.
Este teatro recebeu ao longo da sua existência grandes personalidades da cultura portuguesa e até estrangeira. Destacamos o facto do Teatro Gil Vicente ser desde sempre, a verdadeira catedral do “teatro amador”, cujas gerações de intérpretes têm mantido a chama do verdadeiro teatro amador. Tem sido uma tarefa apaixonante (e nem sempre fácil) pelo teatro em geral.
Grandes nomes da cena portuguesa, dirigiram muitas das peças ali levadas à cena: destacamos a jóia da coroa, o grande êxito que ao longo dos anos tem sido a célebre opereta “Senhora dos Navegantes”, representada no Teatro Gil Vicente por muitas gerações de intérpretes.
O Teatro Experimental de Cascais no Teatro Gil Vicente
É neste teatro que em 1965 estreámos a peça de António José da Silva (O Judeu), “Esopaida ou Vida de Esopo”. O nascimento de um novo movimento de teatro português em Cascais, só foi possível pelo entusiasmo e apoio de duas grandes personalidades da vida cascalense, Joaquim Miguel Serra e Moura, então presidente da Junta de Turismo da Costa do Sol, e o jornalista João Martinho de Freitas, então director do recente periódico Jornal da Costa do Sol. “Esopaida ou Vida de Esopo” teve encenação de Carlos Avilez, música ao vivo de Carlos Paredes e cenário e figurinos do jovem pintor Luís Pinto Coelho.
Do elenco faziam parte os jovens Zita Duarte, Santos Manuel, Maria do Céu Guerra, João Vasco, Carmen Gonzalez, Manuel Cavaco e António Rama, entre outros.
Assim, no dia 13 de Novembro de 1965 começou a história desta companhia, que ainda hoje se mantém activa no panorama da cultura nacional.
De 1965 até 1974 (na altura em que a companhia estava numa digressão em Angola e Moçambique, dá-se o 25 Abril), o movimento desenvolvido pelo Teatro Experimental de Cascais, levou ao Teatro Gil Vicente uma nova corrente de público, que se deslocava de toda a parte do país, para tomar contacto com novas propostas e linguagens teatrais, onde se destacavam actores, dramaturgos, artistas plásticos e compositores.
Neste período, representaram neste teatro Amélia Rey Colaço, Augusto Figueiredo, Mirita Casimiro, Eunice Muñoz, Glicínia Quartin, Lourdes Norberto, José de Castro, Lia Gama, Canto e Castro, Fernanda Coimbra e muitos outros intérpretes. É aqui que se estreia – na peça “Mar” de Miguel Torga -, um jovem de treze anos, chamado António Feio. Também no Gil Vicente desenvolveram o seu talento, os artistas plásticos Francisco Relógio, Almada Negreiros, Júlio Resende e Lagoa Henriques, assim como o grande vulto da nossa cultura, o músico Carlos Paredes.
Por tudo isto, saudamos nesta data os honrados Bombeiros de Cascais, que lutaram sempre para que o Teatro Gil Vicente nunca deixasse de ser o seu teatro.
À direcção dos Bombeiros Voluntários de Cascais, na pessoa do Dr. Rama da Silva, assim como à direcção que tem à sua responsabilidade as actividades culturais do Teatro Gil Vicente, cujas novas propostas se têm realizado com grande êxito, de forma a honrar o passado e o presente do Teatro Gil Vicente, deixamos as nossas
Saudações
Carlos Avilez
João Vasco
Teatro Experimental de Cascais
Saudemos Chico Buarque pelo Prémio Camões
Ficámos sensibilizados pela atribuição merecida do “Prémio Camões” a Chico Buarque, poeta e dramaturgo brasileiro dos mais celebrados em todo o mundo. Ao saudá-lo, queremos, mais uma vez, agradecer-lhe a colaboração no sentido de autorizar a nossa companhia para que tivéssemos levado à cena, em 2013, a peça “Os Saltimbancos”, de sua autoria, no Teatro Municipal Mirita Casimiro.
A sua extraordinária obra “Os Saltimbancos” constituiu um merecido êxito do nosso público. Não queremos esquecer e, ao mesmo tempo, saudar o nosso amigo, escritor e jornalista brasileiro Jefferson Del Rios que, como amigo de Chico Buarque, deu-lhe a informação sobre a actividade do Teatro Experimental de Cascais. Chico Buarque deu-nos todas as facilidades para que representássemos a sua obra.
Desde Cascais, o nosso abraço e a nossa homenagem a Chico Buarque da Holanda.




